Nem mais uma ilusão resta-me à vida,
Depois que as esperanças me largaram
No silêncio feral da treva imensa.
Depois que as esperanças me largaram
No silêncio feral da treva imensa.
Aves do meu sertão, chorai por ele,
Na selva verde-escuro-azul do Mocha,
No descampado azul da Pátria amada.
Na selva verde-escuro-azul do Mocha,
No descampado azul da Pátria amada.
Que minha noiva nessa vida é a morte,
Noiva e mortal dos lânguidos mortais,
Sabem por toda essa avenida
Triste,da vida triste,
Benevenuto Celino e Edgar Poe.
Noiva e mortal dos lânguidos mortais,
Sabem por toda essa avenida
Triste,da vida triste,
Benevenuto Celino e Edgar Poe.
Desde Canela, à margem azul do Mocha,
Ó pássaros daí, chorai por mim,
Já que não perto estou dos vossos ninhos,
Para juntar meu canto aos vossos cantos,
No sensível calor dos vossos lares,
Da vossa vida lírica sertânica,
Para choro sentir nas vossas almas,
Tão cândidas, tão puras, tão divinas.
Ó pássaros daí, chorai por mim,
Já que não perto estou dos vossos ninhos,
Para juntar meu canto aos vossos cantos,
No sensível calor dos vossos lares,
Da vossa vida lírica sertânica,
Para choro sentir nas vossas almas,
Tão cândidas, tão puras, tão divinas.
O segredo da Terra está no Sol!
O segredo da vida está na morte!
O segredo da morte está na treva.
E as divinas virtudes param longe,
Entre as luzes de Gorki e Tolstoi.
O segredo da vida está na morte!
O segredo da morte está na treva.
E as divinas virtudes param longe,
Entre as luzes de Gorki e Tolstoi.
Ó sigilo terrível da natureza!
Ó dúvida que tanto me entristece!
Ó dúvida que tanto me entristece!
Cuidei que escura noite não viesse,
Tão trágica bater na minha porta,
Na minha pobre porta de boêmio,
Para fazer o pranto, o desconsolo,
E esse rio de lágrimas.
Tão trágica bater na minha porta,
Na minha pobre porta de boêmio,
Para fazer o pranto, o desconsolo,
E esse rio de lágrimas.
Mal chega a vida, a morte nos alcança!
Ah! Para todo o ser que vem à vida
Uma cruz o destino põe na estrada
Da eterna noite do silêncio eterno.
Ah! Para todo o ser que vem à vida
Uma cruz o destino põe na estrada
Da eterna noite do silêncio eterno.
Homem: no triste rumo dessa sorte
Ouvi meu canto, reparai meu verso!
Nem mais uma ilusão resta-me a vida,
Depois que as esperanças me largaram
No silêncio feral da treva imensa.
Ouvi meu canto, reparai meu verso!
Nem mais uma ilusão resta-me a vida,
Depois que as esperanças me largaram
No silêncio feral da treva imensa.
Ai! Patativas de azuladas penas,
Cantai sentidas nênias nesses bosques
N’altas verdosas frondes da ingarana,
Em memória do jovem literato,
Do famoso poeta,
Que escreveu “Janua Coeli”.
Cantai sentidas nênias nesses bosques
N’altas verdosas frondes da ingarana,
Em memória do jovem literato,
Do famoso poeta,
Que escreveu “Janua Coeli”.
Benedito A. de Freitas (Baurélio Mangabeira)
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